Ela esbanja tempo
Enquanto eu cato as horas
Que ela displicente
Vai jogando fora
Enche de aventuras
O meu velho coração
Que bate fraco e lento
Na cadência da solidão
Esnoba a minha alegria
Sorrindo tão juvenil
Lembra dos meus remédios
Mas vive com o corpo febril
Gosta de me ver contar
Sobre as travessias no mar
Sobre épicas batalhas
Que travei no meu caminhar
Amanhã não terei seus cuidados
Ela disse que vai se casar
Vai penar, vai sorrir, vai ter filhos
E depois vai também me contar
Joana, diz pro teu moço
Pra ele não se enciumar
Que eu já não tenho cobiça
Só a minha preguiça
Pra te dar
Joana, por onde andas?
Eu quero tanto te olhar
E então na chama da vida
Que arde em teus olhos
Me esquentar
terça-feira, 5 de setembro de 2017
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
Andarilho (Agostinho Fortes)
Já andei por tantos mundos
Já vi mundos maltratados
Miseráveis e imundos
Entretanto delicados
Com amores mais profundos
Do que aqui por esses lados
Vi mulheres que amavam
Por palácios e dourados
E beijavam e velavam
Maridos envenenados
Vi o amor mais verdadeiro
Nos menos afortunados
Vi o suplício e a corrente
Vi gente vendendo gente
Vi um escravo alforriado
Retornando tão contente
Pro engenho atordoado
Não quer mais seguir em frente
Vi a igreja espalhando
Muitas missas indecentes
Lindas bruxas vi queimando
Vi no inferno inocentes
Vi uma fé inexplicada
No olhar dos mais carentes
Vi no repicar dos sinos
No soar de mil trombetas
Vi no rufo dos tambores
No golpe das baionetas
Consagrada a guerra santa
E o terror pelo planeta
Vi meninos que sonhavam
De arma empunhada
Virar fogos de artifício
Alumiando a madrugada
Explodindo em sacrifício
Pra no céu ter namoradas
Vou cansando pela trilha
Meu passeio me redime
No meu radinho de pilha
Vou ouvindo mais um crime
Entre a cruz e a espada
Subo aos céus num passo firme
Vejo fogos de artifício
Vejo bruxa alforriada
Vejo escravos de dourado
Com a vista já cansada
Subo aos céus embriagado
Saio enfim sutil da estrada
Já vi mundos maltratados
Miseráveis e imundos
Entretanto delicados
Com amores mais profundos
Do que aqui por esses lados
Vi mulheres que amavam
Por palácios e dourados
E beijavam e velavam
Maridos envenenados
Vi o amor mais verdadeiro
Nos menos afortunados
Vi o suplício e a corrente
Vi gente vendendo gente
Vi um escravo alforriado
Retornando tão contente
Pro engenho atordoado
Não quer mais seguir em frente
Vi a igreja espalhando
Muitas missas indecentes
Lindas bruxas vi queimando
Vi no inferno inocentes
Vi uma fé inexplicada
No olhar dos mais carentes
Vi no repicar dos sinos
No soar de mil trombetas
Vi no rufo dos tambores
No golpe das baionetas
Consagrada a guerra santa
E o terror pelo planeta
Vi meninos que sonhavam
De arma empunhada
Virar fogos de artifício
Alumiando a madrugada
Explodindo em sacrifício
Pra no céu ter namoradas
Vou cansando pela trilha
Meu passeio me redime
No meu radinho de pilha
Vou ouvindo mais um crime
Entre a cruz e a espada
Subo aos céus num passo firme
Vejo fogos de artifício
Vejo bruxa alforriada
Vejo escravos de dourado
Com a vista já cansada
Subo aos céus embriagado
Saio enfim sutil da estrada
quarta-feira, 16 de agosto de 2017
Me diz (Agostinho Fortes)
Diz quem foi que fez esse dia a dia
E inventou o tal do despertador
Diz pra que toda essa correria
Que não tenho tempo pro amor
Diz quem foi que inventou toda essa lida
E esqueceu de inspirar o trovador
Me diz, me diz
Me explica por favor
Como é que faz pro nosso amor
Nunca mais acabar
Diz quem foi que fez essa gente rica
E esqueceu do pobre trabalhador
Diz como é que tem água na piscina
Se lá no açude já secou
Diz quem foi que curou na medicina
O primeiro doutor que se formou
Me diz, me diz
Me explica por favor
Como é que faz pro nosso amor
Nunca mais acabar
Diz quem é que na vida pôs os trilhos
Que o meu vagão descarrilhou
Quem contou meu futuro à cartomante
Que o meu casamento ela errou
Afirmou o dia da minha morte
Que há muito tempo já passou
Me diz, me diz
Me explica por favor
Como é que faz pro nosso amor
Nunca mais acabar
Diz quem é que escolheu a cor do mar
E os seus olhos da mesma cor pintou
Diz onde é que o vento faz a curva
Que já passou reto e não parou
Se o amor é uma coisa que acaba
Ou vai virando sempre um novo amor
Me diz, me diz
Me conta por favor
Qual o segredo de um amor
Que nunca há de acabar
Diz pra que tanta tecnologia
Você vidrou no computador
Mas só eu que esbanjo alegria
E posso chorar a minha dor
E só eu que posso morrer na vida
E sou filho de Deus Nosso Senhor
Me diz, me diz
Me beija por favor
Pra eu sentir que o nosso amor
Nunca vai acabar
E inventou o tal do despertador
Diz pra que toda essa correria
Que não tenho tempo pro amor
Diz quem foi que inventou toda essa lida
E esqueceu de inspirar o trovador
Me diz, me diz
Me explica por favor
Como é que faz pro nosso amor
Nunca mais acabar
Diz quem foi que fez essa gente rica
E esqueceu do pobre trabalhador
Diz como é que tem água na piscina
Se lá no açude já secou
Diz quem foi que curou na medicina
O primeiro doutor que se formou
Me diz, me diz
Me explica por favor
Como é que faz pro nosso amor
Nunca mais acabar
Diz quem é que na vida pôs os trilhos
Que o meu vagão descarrilhou
Quem contou meu futuro à cartomante
Que o meu casamento ela errou
Afirmou o dia da minha morte
Que há muito tempo já passou
Me diz, me diz
Me explica por favor
Como é que faz pro nosso amor
Nunca mais acabar
Diz quem é que escolheu a cor do mar
E os seus olhos da mesma cor pintou
Diz onde é que o vento faz a curva
Que já passou reto e não parou
Se o amor é uma coisa que acaba
Ou vai virando sempre um novo amor
Me diz, me diz
Me conta por favor
Qual o segredo de um amor
Que nunca há de acabar
Diz pra que tanta tecnologia
Você vidrou no computador
Mas só eu que esbanjo alegria
E posso chorar a minha dor
E só eu que posso morrer na vida
E sou filho de Deus Nosso Senhor
Me diz, me diz
Me beija por favor
Pra eu sentir que o nosso amor
Nunca vai acabar
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Nosso fim (Agostinho Fortes)
Eu sei que ela me amou
E o quanto insistiu
As vezes que ela orou
E as vezes que desistiu
Eu sei que ela revidou
Com outro me confundiu
E a gente se mereceu
E a gente fez que não viu
Eu sei que já me enterrou
Nalgum terreno baldio
E lá o mato cresceu
Com cheiro de amor vadio
E é lindo, que lindo
De cara ela se entregou
E aos poucos ela partiu
Por tantas me perdoou
Por outras ela fingiu
Eu sei que já me enterrou
Nalgum canto de jardim
E lá brotou uma flor
Zelosa do nosso fim
E é linda, que linda
E o quanto insistiu
As vezes que ela orou
E as vezes que desistiu
Eu sei que ela revidou
Com outro me confundiu
E a gente se mereceu
E a gente fez que não viu
Eu sei que já me enterrou
Nalgum terreno baldio
E lá o mato cresceu
Com cheiro de amor vadio
E é lindo, que lindo
De cara ela se entregou
E aos poucos ela partiu
Por tantas me perdoou
Por outras ela fingiu
Eu sei que já me enterrou
Nalgum canto de jardim
E lá brotou uma flor
Zelosa do nosso fim
E é linda, que linda
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
Teu vigia (Agostinho Fortes)
Quando eu tiver enfim que partir
Quando eu vir minha hora chegar
Dá-me um sorriso manso
Sussurra um segredo
Que eu possa comigo levar
Quando eu não estiver mais aqui
Não quero te ver sempre a chorar
Quero um luto breve
E um pranto leve
Que a brisa possa levar
Quando a alegria voltar em ti
Quando um sorriso te escapulir
Serei o teu vigia
Noite afora
Do meu ciúme hei de rir
Lá no recanto do peito teu
Guarda bem firme o meu lugar
E se algum maldito
Te faltar respeito
O sujeito, eu vou assombrar
Eu juro que sabia
Que uma só vida
Era curta para te amar
Quando eu vir minha hora chegar
Dá-me um sorriso manso
Sussurra um segredo
Que eu possa comigo levar
Quando eu não estiver mais aqui
Não quero te ver sempre a chorar
Quero um luto breve
E um pranto leve
Que a brisa possa levar
Quando a alegria voltar em ti
Quando um sorriso te escapulir
Serei o teu vigia
Noite afora
Do meu ciúme hei de rir
Lá no recanto do peito teu
Guarda bem firme o meu lugar
E se algum maldito
Te faltar respeito
O sujeito, eu vou assombrar
Eu juro que sabia
Que uma só vida
Era curta para te amar
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