Ando perdendo a cabeça pensando só nela
Ela fazendo a minha cabeça girar
Hoje cedo quando eu fui abrir a minha janela
Eu pensei que era ela que vinha
Voando, cantando e sorrindo no seu barco à vela
Claro que ainda sou dono da minha razão
Quando a vejo, eu juro que sinto trincar a costela
E o meu coração quase surta
Brecando, cuspindo, engasgando até que congela
Claro que ainda sou dono da minha aflição
Eu confundo, eu erro, tropeço e bato a canela
Quando saio correndo pensando
Que é ela com meu coração já em alguma tigela
Ela fazendo a minha cabeça gritar
Hoje cedo quando eu fui abrir a minha janela
Era uísque, era ela, era tudo
De novo na minha cabeça e no seu barco à vela
Claro que tenho o controle da situação
Lanço a minha cabeça no abismo e acendo uma vela
Que é pra ver o nome dela sumindo
De vez e descendo ardendo pela minha goela
Claro que já não me importa a minha digestão
Hoje cedo quando eu fui abrir a minha janela
Eu pensei que era ela, era outra
Era aquela que eu vi outro dia naquela novela
E claro que minha cabeça é só confusão
A paixão é uma febre divina que deixa sequelas
E é por isso que eu sofro, que eu amo
E guardo no fundo e confundo quase todas elas
Lá lá laiá lá laiá lá laiá lá laiá ...
terça-feira, 13 de junho de 2017
domingo, 4 de junho de 2017
Lar (Agostinho Fortes)
Nas várzeas, montanhas
Nas vilas, nos vales
Nas minhas entranhas
No fundo dos mares
Em alguma estrela
Eu sei que vou te encontrar
Meu verdadeiro amor
Meu verdadeiro lar
Nos sonhos, ideias
Nos palcos, plateias
Entre mil pagantes
No alto dos Andes
Em alguma costa
Eu sei que vou te avistar
Meu verdadeiro amor
Meu verdadeiro lar
Nos pólos, nos centros
Nos solos sangrentos
Debaixo da terra
No meio da guerra
Num poço profundo
Eu hei de te resgatar
Meu verdadeiro amor
Meu verdadeiro lar
Nos prados, fazendas
Mesquitas, capelas
Pecando e rezando
Em alguma delas
Ao luar num banho
Eu sei que vou te flagrar
Meu verdadeiro amor
Meu verdadeiro lar
E se eu demorar
E se a vida quiser
E a sorte puser
Você num altar
Eu pego um avião
E vou então te salvar
Esqueço as várzeas
Os vales, os sonhos
Plateias, pagantes
Os pólos, os prados
Mesquitas, capelas
E corro para evitar
Que essa sorte maldita
Decida com quem vais ficar
Nas vilas, nos vales
Nas minhas entranhas
No fundo dos mares
Em alguma estrela
Eu sei que vou te encontrar
Meu verdadeiro amor
Meu verdadeiro lar
Nos sonhos, ideias
Nos palcos, plateias
Entre mil pagantes
No alto dos Andes
Em alguma costa
Eu sei que vou te avistar
Meu verdadeiro amor
Meu verdadeiro lar
Nos pólos, nos centros
Nos solos sangrentos
Debaixo da terra
No meio da guerra
Num poço profundo
Eu hei de te resgatar
Meu verdadeiro amor
Meu verdadeiro lar
Nos prados, fazendas
Mesquitas, capelas
Pecando e rezando
Em alguma delas
Ao luar num banho
Eu sei que vou te flagrar
Meu verdadeiro amor
Meu verdadeiro lar
E se eu demorar
E se a vida quiser
E a sorte puser
Você num altar
Eu pego um avião
E vou então te salvar
Esqueço as várzeas
Os vales, os sonhos
Plateias, pagantes
Os pólos, os prados
Mesquitas, capelas
E corro para evitar
Que essa sorte maldita
Decida com quem vais ficar
segunda-feira, 29 de maio de 2017
De outros carnavais (Agostinho Fortes)
Vejo a tua corja se espalhando demais
Nas praças, nas festas, infestando os jornais
O povo te quer pregado, agonizando na cruz
Numa cela suja e sem luz
Choras miséria, negocias milhões
Teu grito sincero atrai multidões
Mas espero te ver um dia sem voz
Na boca de algum cão feroz
Recolhe os teus bens e a tua quadrilha
Puseram escuta, radar e armadilha
Delata os teus amigos, suja de vez o teu nome
E não fales ao telefone
Roubaste dos pobres e deste pros teus
Fazendo justiça em nome de Deus
Habitas o fétido, esgotos e breus
Teus segredos já não são só seus
És altruísta, crente fervoroso
Gostas de criança, cuidas do idoso
Tua causa é justa e amas os animais,
Mas te conheço de outros carnavais
Nas praças, nas festas, infestando os jornais
O povo te quer pregado, agonizando na cruz
Numa cela suja e sem luz
Choras miséria, negocias milhões
Teu grito sincero atrai multidões
Mas espero te ver um dia sem voz
Na boca de algum cão feroz
Recolhe os teus bens e a tua quadrilha
Puseram escuta, radar e armadilha
Delata os teus amigos, suja de vez o teu nome
E não fales ao telefone
Roubaste dos pobres e deste pros teus
Fazendo justiça em nome de Deus
Habitas o fétido, esgotos e breus
Teus segredos já não são só seus
És altruísta, crente fervoroso
Gostas de criança, cuidas do idoso
Tua causa é justa e amas os animais,
Mas te conheço de outros carnavais
Só você não viu (Agostinho Fortes)
Fique numa boa, não tenha amigos
Nunca fique à toa, Deus está contigo
Cuide bem dos filhos, limpe bem a casa
Espere o seu homem com o corpo em brasa
Viva pro marido, ponha a mesa farta
Um jarro florido e um sorriso na cara
Corte esse cabelo, estanque a sua veia
Cale o seu apelo, esqueça a vida alheia
Estrague a sua vida, siga a cartilha
Faça desse inferno uma maravilha
Não tenha vontade, espere o paraíso
Receba seu marido sempre com sorriso
Lá fora o cais tá cheio, a lua brilha cheia
O mundo todo veio, tem sarau na areia
Mas muito cuidado, não olhe lá fora
Amar é um ofício e você tem hora
Como é que faz agora que o sarau acabou?
O cais está vazio e você demorou
Só você não viu, o mundo lhe avisou
O cais está sombrio e só você ficou
Eu bem que lhe avisei, mas você insistiu
Agora já é tarde, nosso barco partiu
Eu bem que implorei, você não reagiu
O tempo passou e só você não viu
Nunca fique à toa, Deus está contigo
Cuide bem dos filhos, limpe bem a casa
Espere o seu homem com o corpo em brasa
Viva pro marido, ponha a mesa farta
Um jarro florido e um sorriso na cara
Corte esse cabelo, estanque a sua veia
Cale o seu apelo, esqueça a vida alheia
Estrague a sua vida, siga a cartilha
Faça desse inferno uma maravilha
Não tenha vontade, espere o paraíso
Receba seu marido sempre com sorriso
Lá fora o cais tá cheio, a lua brilha cheia
O mundo todo veio, tem sarau na areia
Mas muito cuidado, não olhe lá fora
Amar é um ofício e você tem hora
Como é que faz agora que o sarau acabou?
O cais está vazio e você demorou
Só você não viu, o mundo lhe avisou
O cais está sombrio e só você ficou
Eu bem que lhe avisei, mas você insistiu
Agora já é tarde, nosso barco partiu
Eu bem que implorei, você não reagiu
O tempo passou e só você não viu
Não entendo (Agostinho Fortes)
Eu nem lhe faço tão bem
Jamais lhe tratei com mimo
Mesmo assim você reclama de mim
Imagina se eu lhe adorasse
E fizesse as suas vontades
Aí, com certeza, seria o meu fim
Jamais lhe dei uma flor
Muito menos jurei amor
Mesmo assim você não liga pra mim
Esqueço o seu aniversário
Você pede e eu faço ao contrário
Não entendo você não ser louca por mim
Jamais lhe tratei com mimo
Mesmo assim você reclama de mim
Imagina se eu lhe adorasse
E fizesse as suas vontades
Aí, com certeza, seria o meu fim
Jamais lhe dei uma flor
Muito menos jurei amor
Mesmo assim você não liga pra mim
Esqueço o seu aniversário
Você pede e eu faço ao contrário
Não entendo você não ser louca por mim
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